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Votos de Ano Novo


Ela abre o e-mail e confere uma mensagem muito carinhosa de sua ex-chefe.
Sem fazer jus a qualquer estereótipo de chefe mala, esta era uma fofura de pessoa.
Sempre atenciosa e disposta, conversava muito com Ela, inclusive sobre os assuntos pessoais, e acabaram desenvolvendo muito carinho uma pela outra.

A mensagem da chefe terminava assim:

“Beijo enorme!!! Boa sorte e um 2011 maravilhoso pra você!
Além do novo trabalho, que venha um novo amor tbm!!!”


O sorriso que Ela estava mantendo enquanto lia a mensagem se desarmou exatamente ali.
“que venha um novo amor tbm!!!” Porque? Porque Ela iria querer um novo amor se está inteiramente recheada, coberta, soterrada de seu “amor de sempre”? Ainda que ele não seja mais correspondido, ainda que nunca volte a ser, ainda que sua única companhia para o resto da vida seja esse seu “amor de sempre”, ele é dela, nasceu dentro dela, foi cultivado, mimado e tratado por Ela sempre. E sempre vai estar aqui. Sempre vai ser dele, mesmo que Ele não queira.
Sempre serão de Ele os beijos apaixonados de Ela, sempre permanecerão ali arrumadinhos, envolvidos em papéis de seda como em uma caixa de presentes, os abraços, os carinhos, as mãos dadas, a companhia, os sorrisos! Tantas coisas que são só dele.

Pensando em todas estas coisas, uma por uma, numa lista interminável de tudo que Ela quer dar a Ele e que um novo amor traria, Ela tem a certeza de que, em 2011, ela quer sim um novo amor: o “amor de sempre” de novo e de novo....
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Independente de onde esteja

"O Ministério da Saúde adverte: shoppings lotados desestabilizam sua saúde
emocional e podem causar surtos de pensamentos sombrios e lágrimas abusadas."


Sabe quando a falta que uma pessoa te faz é tão grande que você começa a procurá-la, e a acreditar que vai encontrá-la, onde quer que você esteja, mesmo tendo a certeza de que ela nunca estaria naquele local e naquele horário?

Então... é exatamente isso que acontece com Ela.
Independente de onde esteja, Ela sempre começa a procurá-lo.

E foi num shopping, na Barra da Tijuca, às 18h de uma terça-feira pós-Natal, que Ela surtou e começou a achar que iria vê-lo. Chamo de surto não para ser rude, mas porque foi verdadeiramente um surto! Ela olhava para todos aqueles rostos vindo e tinha a certeza - mais do que isso - a convicção de que um deles seria o dele, com o sorriso estampado e os olhos simpáticos de (quase) sempre. Ela esqueceu de lembrar que, naquele horário, Ele não só estaria a quase 50km de distância como estaria dentro de um escritório, trabalhando. Para que lembrar disso? Sua mente se recusava a ser racional e seu coração disparava a cada novo rosto frustrante que não era dele.

Uma tristeza sem tamanho começou a tomar conta de cada pequeno pedaço do seu corpo, quando Ela por fim se deu conta do surto em que entrou. “Porque Ele estaria aqui? Porque Ele sorriria para mim, se estivesse aqui? Porque eu sou tão burra e não consigo esquecê-lo nem no meio desse shopping lotado? [falando nisso, alguém tenha a bondade de avisar a esse povo que o Natal já passou? Porque eles ainda estão lotando os shoppings?] Porque Ele não pode, simplesmente, estar aqui de verdade?”. Seus pensamentos são incontroláveis, mas aprenderam a ser assim com suas primas de 1º grau, as lágrimas. Essas, péssimos exemplos que são, nunca se importam se estão na frente de desconhecidos, no ônibus, na rua ou num shopping abarrotado. Elas simplesmente caem, abusadas e desobedientes.

“O que eu vim fazer nessa droga de shopping?” Aí, lembra: Veio encontrar a mãe que a está esperando na Saída B, que Ela não faz idéia de onde fica e se irrita a cada passo. Por fim, a encontra e desaba. “Vamos embora daqui, por favor!”. E vão, para longe do shopping, longe das pessoas, longe do barulho e dos rostos vindo. Mas Ele ainda está lá. Sempre. Independente de onde Ela esteja.
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Voando e "O abraço"

"O tempo passou voando e, olha só, já é Natal."

O tempo passou mesmo voando! Pensar no final de 2009, me faz perceber como realmente passou rápido. O engraçado é que eu tive a impressão de que esse ano jamais chegaria ao fim. Nossa que ano difícil! Avaliar 2010 vai ser tarefa dura demais. Posso dizer com todas as letras que N-Ã-O foi um ano bom. Mas, felizmente, apesar do balanço ser negativo, sempre pude contar com a presença daqueles amigos-anjos [sabe aqueles que da pra contar nos dedos de uma das mãos? O suficiente!].

"Que vá embora de uma vez por todas esse ano!" Este é o pensamento que estará comigo nesta semana que ainda falta! Estou literalmente contando os dias para o fim desta etapa e para o começo de uma nova. Temos esse costume de dividir a vida em anos, sempre achando que o ano que se inicia vai trazer uma nova fase. Mas, dessa vez pelo menos, isso é mais do que uma expectativa. Já vou começar janeiro numa outra estrada. Espero que me leve a caminhos produtivos. Sabe o clichê "Ano novo, Vida nova"?.. vou adotá-lo como minha única Resolução de Ano Novo e seguir.


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O Abraço





A cada andar que o elevador ia passando, seu coração saltava como uma criança no pula-pula. Medo, alegria, nervosismo, ansiedade, tudo ao mesmo tempo e se misturando dentro dele. "Elevadorzinho malvado esse que cisma em parar em todos os andares!" 20º..19º..18º.. desce até o 15º só para Ela achar que dessa vez vai direto e para. Uma moça feliz e animada para o Natal pede um minutinho da descida dos coleguinhas, para abraçar a ascensorista e desejar tuuuudo de melhor em 2011. Enquanto isso, todos esperam! "Ninguém esta mesmo com pressa para chegar lá em baixo." Devem ter passado apenas 40 segundos, mas Ela olha para o relógio vezes suficientes para todo um ano. 11º...9º...5º... mais gente entrando e Ela louca para sair! Cogitou descer o resto do caminho de escada, mas eram tantas pessoas à frente da saída do elevador, que julgou menos trabalho ter mais paciência. "É uma prova! Isso.. um teste de paciência! Vou esperar!", pensou. 2º... G2...G1... Térreo! "Acredita que chegamos ao térreo?" - Sim, sua mente tem a estranha mania de lhe perguntar coisas. Acha que tem liberdade de pensamento. O pior é que Ela a responde de vez em quando.


Ainda não tinha nem passado o crachá para liberar a roleta, mas já tinha o visto lá fora através do vidro. A mochila preta, a calça e a blusa social, o cabelo, os olhos e, finalmente ela pode ver, o sorriso. Seu coração, que antes era uma criança levada no pula-pula, agora era um velhinho com ataques epiléticos dentro dela. "Não chore, não desmaie, deseje 'Feliz Natal' às pessoas, sua mal educada!" - É bom ter uma mente que dá leves esporros!


O abraço. Ela poderia estar até agora encaixada nele se os espasmos dentro dos olhos não a tivessem lembrado de que ia desabar a qualquer minuto. O abraço que sempre será dela, mesmo que conforte outras pessoas dentro dele, mesmo que fique vazio por algum tempo. Quando está dentro dele, ela pode sentir que ele está perfeitamente igual e seu. O abraço traz com ele o cheiro, a voz perto do ouvido, a barba encostando no rosto, as mãos tocando as costas. Sim.. Ela, sem dúvidas, poderia estar dentro dele até agora.


"Por que você está chorando?" Aqueles olhos lindos a paralisam perguntando aquilo que já sabem. "Eu te amo!", Ela pensa, sente e dói. "Não tô não!", Ela responde e sorri.
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Mãos

Um simples toque de suas mãos. Este pequeno gesto já me causou, durante todo esse tempo, tantas sensações e emoções diferentes. Mas, hoje, quando o senti durante o filme a que assistíamos, voltei no tempo. Voei para uma época em que tudo o que eu tinha era esse toque das suas mãos nas minhas. Pessoas em volta, sala de aula, quadro, aula de história, professor. Nada! Não havia nada mais à minha volta quando suas mãos ficavam encostadas no cantinho da parede, por trás da mesa da sala de aula, para encontrar as minhas. E aquele momento era tão forte, tão intenso, tão esperado e tão íntimo que não parecia que eram apenas as mãos que se tocavam. Com um simples toque de uma mão na outra, eu conheci sensações que talvez ninguém conheça nunca, ainda que tenha a mais movimentada e excitante vida amorosa. Acho que eu viveria mil anos sem esquecer daquelas sensações.
Hoje, meu coração fica pequeno de tão apertado ao lembrar delas. A felicidade daqueles instantes transforma-se em dor. Dor do tempo que passou, dor da perda do que fomos, dor por não serem mais minhas as suas mãos.
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O que ainda existe...

... É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe...
As fotos estão aqui. As músicas também. Minhas roupas. Meus ursos. As cartas. Os cheiros. Os cômodos. A cama. O edredom. Os filmes. A caixa de papelão cheia de relíquias. Copos de vidro esperando o momento de finalmente serem usados. Adesivos que até já perderam a cola. O chão da cozinha. A varanda. A escada. Os lugares. As pessoas. Os casais... ahh os casais! Eles estão sempre por aqui. Os assuntos. O mar. A areia. O céu. As pracinhas. Os macacos. As lembranças. A dor. As lágrimas ainda estão aqui. O amor. E eu.
Tudo por aqui, como sempre foi. Como se nada tivesse acontecido. Como se a vida ainda pudesse ter cor. Como se ainda pudesse haver alegria. Como se a essência das coisas não houvesse evaporado. Como se fosse simples acordar e não encontrar mais sentido em nada.
... nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu.. tá tudo assim, tão diferente...
Foto: Girl and her reflection in window - Adam Gault - GettyImages
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A Mochila


Hoje, no ônibus, um estranho me lembrou você!
Era a mesma mochila. Aquela que te dei. Será que você ainda lembra!?
Foi uma época tão plena, tão cheia de sentimentos, bagagem para por na mochila.
Hoje, vazio. Murcha e sem graça, como a mochila do moço, está a nossa.
Será que ela ainda existe? Rasgou, arrebentou, deu traça como nosso amor?
Mais do que a mochila preta, ele tinha algo de idêntico a você. O ponto dele chegou. Ele puxou a cordinha e desceu do ônibus. E eu fiquei sentada. Ainda sem sentido, estática pela segunda vez. Vazia... como a mochila do moço. Como a nossa mochila.
Foi simples, como com você. Ele, cruelmente, desceu. Degrau por degrau. E foi embora. E a mochila foi balançando em suas costas, como se me desse adeus.
Provavelmente, não o verei nunca mais. E, mesmo que o veja, serei, para ele, o que hoje já sou, para você, para mim mesma, uma estranha.
Maldita Mochila.
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Mudanças ou percepções?

As coisas estão mudando ou sou eu que tô começando a perceber a verdade nelas?
Sinceramente? Voto na segunda opção!
Parece que, agora, tudo está acontecendo devidamente como deveria estar desde sempre. Esta tem sido uma semana difícil, mas.. até que passou rápido.. hoje já é quinta, nem reparei! rs

Tá caindo uma chuva de realidade na minha cabeça.. e, cara, meu guarda-chuva quebrou!

Eu tô morrendo de saudades das minhas amigas, do nosso contato diário, da nossa praça de alimentação, das nossas aulas e das nossas faltas, das nossas conversas. Não há um dia em que eu não pense nisso. Não há um dia em que eu não sinta falta de vcs.
Tenho sentido uma falta gigantesca do Lucas também. Nunca tinha passado tanto tempo longe dele. Um tempo diário e obrigatório. Me pego pensando muito nele durante o dia. Tentando me convencer de que este afastamento é necessário e natural.

No começo tudo é um evento, tudo é o pique... mas depois vc começa a notar coisas, perceber situações e pessoas. Quando vc para e olha pra tudo, vc nota que virou sua vida de cabeça pra baixo, em uma manhã!

Claro que estar de cabeça pra baixo não é sempre uma coisa ruim. Mas é uma outra perspectiva. Estou feliz com meu estágio, de um jeito ou de outro, estou aprendendo muitas coisas, não tanto técnicas, mas muito para meu crescimento pessoal. Só que não adianta negar... há sempre o outro lado da balança. E eu tenho me sentido muito sozinha. Tenho passado por algumas situações em que eu me sinto infinitamente só. É nesses momentos em que eu paro tudo e agradeço a Deus por tudo que tenho, pela família, pela casa, pelo amor, pelas minhas amigas. Sei que não sou uma pessoa sozinha, sei que tenho muitas pessoas ao meu lado, pra me dar a mão e me apoiar. Mas, em alguns momentos, eu me sinto assim. É o racional e o emocional sempre em guerra. E isso cansa muito. Persuadir a mim mesma.. tentar, o tempo todo, convencer a mim mesma de que meu racional está certo, quando meu coração não tá nem aí para o que meu cérebro pensa, cansa muito!

Enfim... muitos abalos essa semana - e meu vô ainda está no hospital... já completam 8 dias. - Ainda bem que amanhã é sexta. Tô precisando que esta semana acabe!